segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O poço

Está tudo tão distante. Tento me levantar, me mexer, mas nada está adiantando. Agora que estou percebendo, estou no fundo do poço. O poço das minhas dores, de desgosto. Ôh não! Por que estou sentindo isso? Esse vazio no peito. Claro, estou no fundo do poço. Um poço sem uma mísera gota d'água.
O céu está limpo, sem nenhuma nuvem ao céu, sinal que não irá chover. Que pena. Poderia usar a chuva para sair daqui, de preferência uma chuva bem forte. Uma tempestade, talvez. Como iria utiliza-la? Ora, é bem simples... Esperaria que o poço transbordasse e boiaria até a superfície.
Hm...E se...E se eu deixasse que eu mesma me transbordasse. Deixa-se de sentir esse vazio no peito e sentisse outra coisa? Amor, talvez. Mas como iria sentir isso? Eu não sei, estou confusa, muito confusa. Respira. Inspira. Pensa, pensa, pensa em algo que tenha amor. Amigos, família, primeiro amor... Bobagem. Prefiro o amor de Deus e dos animais, pelo menos Ele e eles são verdadeiros.
 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Merry Christmas!



Crianças vestidas com gorros e casacos brincando fora de suas casas. Bonecos de neve e anjos de neve. Flocos brancos caindo do céu e pousando no chão completamente branco atrapalhando a estrada e passagens entre uma casa e outra. Sim, você sabe do que ela está falando. O Natal chegou.
O Natal é a melhor celebração que existia para ela. Lembrava na época que a sua vizinhança se reuniam para fazer uma grande ceia, não eram os presentes caros que importavam, não era a “chegada do Papai Noel”, até porque ele não existe. É isso mesmo, todas as crianças acreditavam no velhinho gordo, de barba grisalha e roupa vermelha, que em apenas uma noite entregava presentes para as criançinhas do mundo inteiro atrás vez de um treno e suas nove renas, mas na verdade ele não passava de um jeito lucrativo para os donos de lojas vendessem seus produtos. E os pais, para fazerem as vontades dos filhos, compravam o que eles queriam e colocava abaixo da árvore fingindo ser do Papai Noel para que, no dia seguinte, seus filhos acordassem ansiosos para abrir os tais presentes. O que essas pessoas não fazem por um pouco de dinheiro, não é mesmo? Mas o que importava mesmo para ela e seus vizinhos era a despedida de um ano velho para um novo ano, a solidariedade que cada um mostrava. Todas as decorações, desde enfeites até os piscas-piscas, atraiam sua atenção. As luzes. Esquecia-se de quantas vezes a sua mãe a alertava para não ficar tão perto daquelas luzes, poderiam prejudicar sua visão. Mas ela não resistia àquelas cores. Verde, azul, amarelo, vermelho, branco... Todas elas piscando, às vezes cada uma iluminava aleatoriamente, outras em sincronia... A iluminação da sua vida. Um verdadeiro espetáculo para os olhos da garota.
Apenas temos que enxergar lá fundo dos nossos corações e pensar que o Natal não é apenas o dia de ganhar presentes, é o espírito da doce amizade que se deve brilhar todos os anos, é a bondade, é a esperança renascida. Como uma fênix que morre e renasce das cinzas. Uma bela história para ser contada... Sem mais delongas, desejo a vocês um FELIZ NATAL.


Merry Christmas! by Brigitte on Grooveshark

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Um sonho e uma realidade

Queria liberdade. Queria sair pelo mundo em buscas de novas histórias para que, quando envelhecer-se, contasse para seus netos suas aventuras desde as cordilheiras do Himalaia até o clima tropical da Austrália e dos Desertos escaldantes. Mesmo que não tivesse filhos e netos ela queria partir. Mas estava em uma jaula, acompanhada por leões. Leões aqueles que insistiam em vigiar cada movimento dela, cada passo, cada olhar. Que a impedia de realizar seu objetivo. Como gostaria de um chicote nessas horas, aprender a domar leões como nos circos que costumava ver. Não ao vivo e sim pela televisão. Umas chicotadas a acalmariam. Observou pela janela o céu infinito suspirando, imaginando histórias de quem iria conhecer e quantas culturas iria aprender deixando um sorriso escapar do seu rosto. Era tão surreal. Nunca havia posto um pé fora da sua jaula, mas isso não a impedia de sonhar. Pois o sonho era a janela para o futuro, um futuro próximo, uma utopia. A sua utopia.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Faces do amor


Amor. O que era na verdade o significado desta palavra tão vista nos outdoor das cidades? É um sentimento afeição, compaixão, atração, misericórdia... Mas o mais popular é paixão. Ér... Ela não sentia isto e provavelmente 50% da população se enganam com essa palavra. Elas acham que um príncipe encantado vai aparecer e salvar elas de um castelo na torre mais alta, que eles vão lutar com monstros e no final vão ser felizes para sempre. Pois parem de se enganar porque a vida não é uma merda de conto de fadas. Sejam racionais. Ela não está falando mal dos homens, longe dela falar deles, até porque os homens esperam pela sua princesa. Alguns. Aquela que os mimam e gostem das mesmas coisas, que não seja tão grudada, mas também que não seja tão solta. Afinal, o que cada um quer do seu "parceiro"? Que sejam bonecos facilmente manipulados? Ela não pode falar por todos, mas se o amor fosse como uma adaga de prata que perfurava seu peito, ela sentia isto. Todos os dias quando acordava e quando iria dormir. Mas não existe só um tipo de amor...

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Cicatrizes de uma vida

    Deitada em seu dormitório olhando para o teto branco, ela sabia que não precisava ficar mais ali. Seu tempo de sair já havia passado faz meia hora e ela poderia voltar para o refeitório sendo acompanhada pelos paramédicos. Em seu rosto havia marcas, cicatrizes para ser mais exata, como nas bonecas de pano. Mas havia uma em especial, uma que começava na ponta de sua boca e terminava até a metade das suas bochechas. Um sorriso. O sorriso sádico atraiam os olhos curiosos de quem se aproximava dela  perguntam como ela conseguiu aquilo em seu rosto e para cada pessoa ela dava uma resposta. " Em uma tarde bem ensolarada, eu estava passeando com o meu namorado em um dos parques até que um homem coberto por um capuz veio nos assaltar. Ele estava com uma faca e pedia tudo de valor que tínhamos. Apavorada dizia que não tinha nada e ele tampouco tinha... Mas sabe o que ele fez logo depois? Ele perguntou por que eu estava tão séria, por que em uma tarde tão linda como aquela eu não estava sorrindo. Ele aproximou o canivete do meu rosto e perguntou mais uma vez por que estava tão séria enquanto rasgava minha face de orelha a orelha, fazendo este sorriso. E sabe o que meu namorado covarde fez? Ele não suportou minha aparência e fugiu dos meus braços." Suspirou pesadamente enquanto trincava os dentes. " Meu padrasto chegou bêbado em casa e queria vender toda a mobília para fazer suas imundas apostas. Eu não deixei, claro. Mas ai ele pegou uma faca na cozinha e se aproximou de mim falando que eu era uma imprestável e que eu e minha mãe não passava de uma vagabunda querendo se aproveitar dele. Ele perguntou por que estava tão séria. Colocou este sorriso em meu rosto dizendo que eu era para estar feliz por ter um homem como ele em minha vida."
Insana, com os ouvidos atentos, virou seu rosto assim que escutou passos se aproximarem. Sentiu dedos enrugados tocar em sua pele apertando sua bochecha, fazendo-a abrir a boca e despejar um líquido amargo. – Engula, e é melhor eu não saber que você cuspiu novamente seus remédios. – Ela não o olhou, apenas fingiu engolir arrancando um sorriso vitorioso da paramédica que deu meia volta e quando escutou a porta bater cuspiu todo o líquido para fora de sua boca. Ela não precisava disto. Ela era louca. Ela era insana. Aliás, se ela não fosse louca ela não seria ninguém. Afinal, todos são apenas loucos.

"Eu não faço planos, sou apenas um agente do caos. E você sabe qual é a principal ferramenta pra se trazer o caos? Medo! - Coringa"
                                                                                                                                              Feliz dia do palhaço.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Um sonho

 - Ei, eu posso lhe mostrar a verdade, é só vir comigo, criança. - Um voz grave falou coberta por um capuz negro, que impedia qualquer um de ver o rosto do ser, e estendia sua mão para a garota. Seria um homem ou um animal? Mas desde quando animais falavam? E desde quando animais tinham mãos? Em um piscar de olhos a mão estava se distanciando, a garota queria segurar a mão, queria saber a verdade, toda a verdade, mas não podia. Ela estava caindo e tudo estava girando ao seu redor. Via imagens, imagens borradas do seu passado, presente e talvez o futuro. Uma nova Alice em Wonderland, talvez. Mas quando tocou ao chão ela não viu uma porta e uma mesa...
Tocou a palmas as mãos em seus ouvidos e encostou as costas na parede sentindo seu corpo vibrar. Gritos agoniantes estavam sendo ouvidos pela garota. Ela não queria ouvir, queria fazer parar. Mas como parar? Gritou. Pareciam que era uma competição para ver quem soltava o grito mais alto, talvez assim ela fizesse eles pararem... Piscou os olhos por breves segundos e parou de gritar assim que o ar acabou. Tudo parou. Retirou as mãos dos ouvidos enquanto seus olhos que vazavam água percorriam por todo o quarto, não havia ninguém. Só a doce voz da solidão. 

"Eu não sou louco. Minha realidade é apenas diferente da sua. - Gato risonho"



Um bando de marionetes

"Você precisa sorrir mais." Eles dizem. Mas mal sabem que para mostrar um sorriso precisa de um motivo para tal ato. Que se precisa sentir emoções, que precisa estar feliz. Talvez você não perceba que os demais querem fazer de vocês marionetes, as marionetes que eles irão manipular até não poder mais. Eles iram puxar cada fio que apoia em seu corpo, que você insiste em se apoiar. E o que eles ganham com isso? Eu respondo. A sua liberdade. Mas você vai deixar que eles façam isso com você? Vai deixar que eles cortem o fio da sua vida, como as Moiras que determinavam o destinos dos humanos com um cordão e uma adaga? Bem, eu não deixo e você?